segunda-feira, novembro 06, 2006

Luta entre Secretarias de Estado

A minha primeira experiência entre o protagonismo das Secretarias de Estado deu-se quando estava a estagiar na secção “Comunidades” da Agência Lusa (2003). O assunto era bastante simples: um evento internacional onde intervinham a Secretaria de Estado das Comunidades e a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto.

Para fazer o artigo contactei a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, que meu forneceu, via e-mail, dados sobre o evento e afirmou que eram os organizadores do mesmo. Até aqui tudo bem, escrevi e publiquei. Fui para casa.

Passadas duas horas (+/-) a minha editora liga-me e diz-me que a assessora do então Secretário de Estado das Comunidades queria desmentir a notícia porque afinal era o seu ministério que era o organizador e não a “Juventude e Desporto”. E queria saber quem é que me tinha dado a informação, porque não era verdade. Eu garanti-lhe que tudo o que tinha escrito era verdade (aliás a minha editora tinha visto o mail)… enfim as coisas normais por quem se sente melindrado.

Obviamente recusei a dizer o nome de quem me tinha dado a informação. No entanto bastaria ler o take para perceber que a informação era oficial. No outro dia, chego à redacção e liga-me a fonte da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto a dizer-me que ele nunca tinha dito aquilo, e a afirmar que eu fiz confusão. Saltou-me a tampa.

Para não o mandar para “outro lado”, reli-lhe o mail, que ele me tinha enviado com os documentos e disse-lhe que se ele quisesse muito o reencaminharia, com todo o gosto, para o ministro dos negócios estrangeiros e para a Secretaria de Estado das Comunidades para que não restassem dúvidas. Obviamente que ele não quis e as coisas ficaram por ali.

Claro que não foi feita nenhuma correcção de notícia. No dia seguinte fizemos uma notícia nova onde acrescentamos mais informação, entretanto recebida.

6 Comments:

Anonymous Marta said...

Olá Carlos, desejo toda a sorte do mundo ao teu blog e a ti também... Qualquer dia conto as minhas aventuras na minha breve passagem pelo mundo louco do jornalismo e quem sabe também um dia explique os motivos do meu abandono.
Beijos.

2:47 da tarde  
Blogger Fadista said...

Estimado,

já agora, também eu as minhas historiazitas poderei contar!
Afinal, não há tantas por/para contar?

No dia em que todos contarmos todas as histórias, e só as verdadeiras ou credíveis, que vivemos, conhecemos, ouvimos falar, será que o jornalismo ficará melhor? Tenho a certeza que sim!

Como já te ilustrei inúmeras vezes, com este exemplo, em longas conversas sobre o assunto, não estranharás mais uma:

> o despedimento colectivo de uma dúzia de trabalhadores de uma fábrica de confecções, em qualquer sítio de Portugal, dá, automaticamente, direito a chamada de primeira página, abertura de noticiário, etc. e tal. O carnaval habitual...

Um jornal/rádio/TV/site de informação que despeça às dezenas, que tenha estagiários a trabalhar de borla durante 1 ano ou mais (sabes bem que não exagero), que despeça jornalistas com 10 anos de casa e os substitua por estagiários, voltando a admitir o despedido com um cargo de chefia, etc., nada representa mediaticamente...

Não haverá algo aqui que não faz sentido?
Ossos do ofício, ou hipocrisias da corporação?

Os jornalistas têm vergonha de publicar estas realidades que lhes são tão próximas, ou não têm onde as escrever?

Isto faz-me lembrar uma questão engraçada que vi colocada por um amigo: «a quem podemos fazer queixa da DECO?»

No caso, onde poderão os jornalistas exercer um dever de denúncia face a situações como as referidas acima, a chefias, ao patronato, a fontes, a grupos de pressão, etc.?

Este poderia ser o sítio, não?

5:17 da tarde  
Blogger Carlos Pereira said...

Marta:
Estou à espera das tuas histórias. Tiveste a coragem que eu não tive... ou melhor estive quase... mas um convite feito há pouco tempo fez-me voltar atrás.

Beijinhos!

7:39 da tarde  
Blogger Carlos Pereira said...

Fadista:

Já falamos tantas vezes nisso... o encerramento de uma fábrica faz manchetes nos jornais e abre os noticiários na TV. Mas o encerramento dos jornais "A Capital" e "Comercio do Porto", o despedimento de dezenas de jornalistas no "Público" e angariação de forma abusiva de estagiários (como diz o R.A.P do Gato Fedorento: "O Estagiário é o parente pobre do escravo) a custo zero não são referência na Imprensa em geral. Não vende, nem convém que se saiba. Se é corporativismo, cartelização ou mesmo vergonha não sei... só sei que também eu fiz parte dos estagiários a custo zero...

Como estas histórias não vêm "chapadas" nos jornais, nem fazem a abertura de noticiários na TV, quero-as aqui neste blogue.

Quero que este espaço sirva de diálogo, troca de histórias e porque não de denúncias de certas situações para que todos os jornalistas tenham conhecimento do que se passa e sobretudo para que todos os leitores percebam de vez a nossa actividade e o que gira à volta delas.

7:49 da tarde  
Anonymous Marta said...

E já agora para que as dezenas (serão centenas?) de jornalistas que saem anualmente das escolas saibam no que se vão meter. Pode ser que se convençam a ir tirar outro curso. Toda esta conversa faz parecer que o jornalismo é horrível. Não é. Mas às vezes anda lá perto e é preciso amar muito a profissão para a aguentar. Eu acredito que não a amasse assim tanto.

10:38 da tarde  
Blogger Fadista said...

Já agora, uma sugestão de leitura:
http://mrsleeves.blogspot.com/2006/10/jornaleiros.html

Um texto de Mr. Sleeves.

11:29 da manhã  

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